Uma operação deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (28) resultou na divulgação de um mural com 46 procurados no escritório da Bowe. Os cartazes foram afixados pelo Departamento de Investigações Internas, órgão que até ontem não tinha sede, telefone nem existência comprovada.

De acordo com o Boletim nº 0427/26, todos os suspeitos estão em liberdade, trabalhando normalmente e, em alguns casos, sentados a menos de dois metros das vítimas. A situação foi classificada como “alerta geral”.

A ação ocorre menos de 24 horas depois de a redação noticiar as mudanças estranhas no clima do escritório, e às vésperas do alinhamento de astros que, segundo teorias ainda não confirmadas, pode abrir um portal para o submundo do terror corporativo nesta quinta-feira (29).

O modus operandi

Os cartazes seguem padrão rigoroso: retrato falado, nome completo, tipificação do crime e selo de urgente. Segundo a perícia, os retratos foram produzidos a partir de imagens de arquivo e de câmeras de reunião. Testemunhas descrevem a semelhança como “perturbadora”.

Parte dos suspeitos foi retratada usando a camiseta da própria empresa. Para os investigadores, trata-se de confissão de vínculo empregatício. A defesa alega que era a única camiseta limpa.

A ficha corrida

A lista de ocorrências é extensa e, segundo o boletim, “variada em gravidade”. Os crimes contra a agenda lideram as estatísticas, com registros de reuniões marcadas no mesmo horário, pautas em regime de superlotação e quedas livres em plena reunião estratégica. Há ainda um caso de presença simultânea em 25 lugares, que a perícia ainda tenta explicar fisicamente.

Na frente de clientes, os investigadores apuram formação de quadrilha com clientes difíceis, perseguição reincidente por acesso ao Salesforce e um cerco à mão armada com proposta comercial. Também foram identificados casos de dedicação ininterrupta a uma única conta, o tempo todo, toda hora.

A área de tecnologia concentra as ocorrências de maior calibre. Constam no boletim porte ilegal de CSS, fabricação clandestina de MCPs, clonagem de voz da chefia e a criação de pelo menos um dublê digital não autorizado. Em um dos casos, o Claude teria sido utilizado como funcionário fantasma. Procurado, o Claude preferiu não se manifestar.

Reincidência

O boletim dá atenção especial aos reincidentes. Há registros de abandono da daily com álibi de cliente, evasão do escritório em regime contínuo e um suspeito cuja existência física nunca foi comprovada. A redação tentou localizá-lo pessoalmente e não conseguiu, o que, segundo o delegado responsável, “só reforça a acusação”.

Um dos procurados é acusado de fuga da cena do crime após o primeiro parágrafo. Fontes avaliam que ele não chegará a ler esta parte da reportagem.

Nem a diretoria escapou da operação. Há ocorrências de ocultação dolosa de briefing até a rodada de ajuste e um caso de coação da diretoria ao cumprimento de processos, crime que, segundo colegas, alguém precisava cometer.

A pista da banana

Um dos cartazes chamou a atenção da redação: há uma suspeita de controle ilegal de estoque de bananas. Até o fechamento desta edição, não foi possível confirmar se há relação com a banana encontrada embrulhada em teia na copa, ontem. A banana segue isolada e sob proteção.

Contravenções na copa

Também foram registrados delitos de menor potencial ofensivo, mas de grande repercussão. Entre eles, a exigência de nota fiscal até para paçoca, a comercialização de brownie sem alvará da Vigilância, o gasto compulsivo de moedas do Banko e um disparo de espirro em via pública sem aviso prévio, classificado pela perícia como risco sonoro.

Quem vigia os vigias

A investigação tomou um rumo inesperado quando parte da própria equipe de inteligência apareceu no mural, por monitoramento sem ordem judicial, escuta clandestina com fins analíticos e espionagem de C-level. O departamento não descarta que os investigadores sejam, eles mesmos, investigados.

Procurado, o Departamento de Investigações Internas não informou quem comanda a operação. No rodapé dos cartazes, a recompensa aparece como “a combinar”. O ventilador de torre, ouvido por hábito, negou envolvimento.

Orientações à população

“Não tente abordar sozinho. Ao avistar o elemento, comunique imediatamente a equipe.”

Boletim nº 0427/26, Departamento de Investigações Internas

A redação reforça: ao cruzar com qualquer um dos procurados no corredor, mantenha a calma, evite contato visual prolongado e, em hipótese alguma, aceite um convite para “uma call rapidinha”.

O mural completo está disponível logo abaixo. Até o fechamento desta edição, nenhum suspeito havia sido detido, e todos seguiam trabalhando normalmente. Para os investigadores, é exatamente esse o problema.